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Jorge Botelho defende reforço das verbas para a prevenção de fogos

Jorge BotelhoO presidente da Câmara de Tavira considerou ontem que as conclusões do relatório sobre os incêndios de julho no Algarve vão ao encontro da análise das autarquias, defendendo o reforço de verbas para a prevenção de fogos florestais.
Ressalvando que não conhece a totalidade do relatório elaborado pelo investigador Domingos Xavier Viegas, a pedido do ministro da tutela, o autarca Jorge Botelho (PS) disse que “vai na linha do relatório da Liga dos Bombeiros Portugueses que referia que houve um conjunto de falhas neste combate associadas também a algumas questões do próprio terreno”.

Para o autarca, neste momento, os esforços devem estar concentrados na recuperação das áreas ardidas, pretendendo “aproveitar a disponibilidade do Governo para ajudar a repor o potencial produtivo, o apoio aos casos sociais e os trabalhos na área agrícola”.

“É importante que se faça o cadastro para podermos ir ao encontro das preocupações de proteção da floresta mediterrânica, ou seja, a necessidade de replantar corretamente com espécies adequadas, com mais organização”, destacou.

Para Jorge Botelho este é também o momento para dar formação aos profissionais de proteção civil e de defesa da floresta e de disponibilizar meios para fazer a prevenção e limpeza da floresta.

“A ideia de que uma parte do dinheiro da proteção civil poder reverter para a limpeza das matas é muito interessante e considero que tem toda a oportunidade de fazer caminho depois da avaliação deste processo”, acrescentou.

O autarca sublinhou o esforço de muitos proprietários de terrenos que fazem a limpeza dos mesmos, mas admite que outros proprietários não têm dinheiro para o fazer.

“A mesma conversa tem a ver com as autarquias e com o Estado”, alertou admitindo que a lei dos compromissos levanta obstáculos às autarquias que queiram proceder à limpeza de terrenos municipais e outros.

“Para dispor de um conjunto de meios, nem que seja para as candidaturas comunitárias, que funcionam por reembolso, as autarquias para avançar com as candidaturas têm de comprometer dinheiro e estão sem essa possibilidade por causa da lei dos compromissos”, disse Jorge Botelho.

Entre as conclusões do relatório, o investigador Domingos Xavier Viegas destacou à Lusa a insuficiência de meios de combate - bombeiros e viaturas - associada à ocorrência simultânea de vários focos de incêndio contribuiu para o alastramento das chamas.

O investigador apontou ainda avarias nos aviões, falta de aceiros, dificuldade de perceção do sistema de comando da localização do fogo e falha na previsão da sua evolução.

Entre as várias recomendações propostas, Domingos Xavier Viegas destacou o uso de ferramentas de suporte para avaliar o comportamento do fogo e a preparação das populações para se precaverem das chamas, nomeadamente através de formação e equipamentos.

Os incêndios que atingiram a Serra do Caldeirão, entre Tavira e São Brás de Alportel, de 18 a 21 de julho, queimaram uma área aproximada de 24 mil hectares, sobretudo espaços florestais, de acordo com a Autoridade Nacional da Proteção Civil.

Contactado pela Lusa, o Comandante Operacional Nacional da ANPC, Vitor Vaz Pinto, escusou-se a comentar o relatório alegando desconhecimento do seu conteúdo.

“A minha preocupação nesta altura é terminar a época de incêndios”, disse.

fonte/algarveprimeiro

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